domingo, 27 de junho de 2010

Tudo começou a partir do momento em que meus olhos reecontraram os seus, tive a impressão de que já os conhecia,
talvez naõ desta vida.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O destino se encarregou de me dar o momento de beijar os olhos de alguém,
procurei oque siginificava, mas não encontrei, então resolvi criar um.



beijo nos olhos: uma maneira de tocar a alma da pessoa escolhida pelas forças celestes,
sentir um novo aroma, prova real de que o momento é único,da mesma forma que o céu é azul
e não se sabe o por que. Onde é representado pelo carinho, bons sentimentos e pela magia do momento.
obs: não se deve planejar dar um beijo nos olhos, deve-se sentir.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

um amor que surgiu com os braços totalmente erguidos no ar, marcado pela espotaneidade, a simplicidade, com pequenos segredos contados como se fosse palavras jogadas ao vento.
Bem, não quero deixar isso morrer, morto eu estava antes, e surpreendentemente resurgi das cinzas, elas foram sopradas e fiquei novinho em folha, mas a cada dia o céu fica mais nubluado, as luzes cada vez mais fracas, eu acho que foi cortado um tipo de elo°, no começo era um imã, eu me atraia a você e você a mim, uma forma quase que natural de ligação, era com eu vivesse em você.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

DIÁLOGO

- Você não compreende, não consegue compreender.

No meio do rio, eu via a pedra. A única naquela extensão azul de água,
o pico negro erguido em inesperada fragilidade na solidão. Eu não tinha
instrumentos para caminhar até ela, a pedra, tomá-la nos braços, por um
instante debruçar minha ternura sobre seu isolamento num absurdo desejo de
que em sua insensibilidade de coisa ela se fizesse sensível e, assim suavizada,
contivesse o desespero amparando-se em mim. Por que ela se perdia assim e
assim se assumia e se cumpria em pedra, dona de si mesma, dispensando
qualquer afeto, qualquer comunicação? Ela se bastava. Parecia já ter ido além
da própria estrutura num lento inventariar do mundo ao redor, como se seu
pico tivesse olhos e esses olhos projetassem indagações em torno, avançando
nas descobertas, constatações se fazendo certeza. E como se seu isolamento
fosse deliberado, como se já não acreditasse em mais nada e tivesse escolhido
o amparo apenas das águas, a precária proteção do azul como se tivesse
escolhido o vento, a erosão, os vermes, os musgos que a roíam devagar.
Assim, da mesma forma como outros escolhem o apoio das pessoas ou a
nudez do campo, ela escolhera o desafio da entrega. O despojamento de ser,
insolucionada e completa em suas fronteiras: pedra porque pedra fora era e
seria num sempre que a sustentava, frágil e absoluta.

- Veja, os meus cabelos estão molhados, caminhei horas pela chuva querendo e não
querendo procurar você.

Frágil e absoluta em sua camação de mineral, as raízes, se as tivesse,
encravadas no fundo do rio. A sua base por onde escorregam peixes, cobras,
onde a lama se acumulava lenta tentando cobri-la por completo. Ondas frágeis
de rio e, atrás, a ilha espalhada em verde contra o céu quase negro do
entardecer. O sol além do rio, e o céu quase todo desfeito em cores que em
breve afundariam no escuro. As cores morreriam, o claro se faria treva e a
pedra mergulharia em sombras, impressentida -quem veria jamais uma pedra
emergindo do negro que cobriria o rio? E re... nasceria, depois. Em cada
amanhecer, renovada e sempre a mesma, endurecida em sua natureza. A
pedra. Por que me doía e pesava por dentro, como se eu jamais conseguisse
atingi-la? Ah meus gestos incompletos, meu olhos que não ultrapassavam o
que viam -e ela me encarava, alheia ao meu espanto, inatingível quem sabe
para sempre. E não seria apenas uma forma, uma silhueta de coisa nascendo
da água, projetada contra o espaço, cercada de vazio, um pedra? Que espécie
de dureza havia nela, negando a penetração? A compreensão mesma de sua
incompreensão -por que se fechava tanto, e tanto se esquivava, e sem se
esquivar nem se fechar, feita em si -apenas um pedra?

- Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se
sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se
lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós.
Mas doces.

Por que então assim tão de repente e duro, por quê?

Uma pedra. Igual a si mesma, como só o são as naturezas inertes. As
pessoas escorregam e, se num momento foram, no seguinte já não mais o são;
a possibilidade de ser se reduz, contrai, escapa, ou num repente aumenta para
explodir inesperada. As coisas se afirmam nelas mesmas em cada segundo de
cada minuto. E em cada segundo futuro, serão ainda elas mesmas, sem se
acrescentarem ou diminuírem. Para sempre, uma pedra será uma pedra. E por
que então, enfim, esta palidez minha? Por que a encarava e pensava, e a
constatava em sua permanência despida de mistérios e, no entanto, hesitava?
Deveria compreendê-la no passar de olhos e ir adiante sem esperar. Contudo,
esperava. De uma pedra -o quê? Se me machucava por dentro e quase
tombava, meio aniquilado, impossível prosseguir. Derramar de ternura do
vazio de minhas mãos, meus olhos quase verdes de tanto amor recusado,
emoções informuladas pelo silêncio de noturna precisão -tudo convergindo
para a pedra. Uma fatalidade, o inumano atingir o humano assim, de brusco?
A nudez de meus pés devassava o frio. O vidro do rio, a lâmina do vento, a
morte do sol. E a pedra. Inatingível.

- Compreenda, eu só preciso falar com você. Não importam as palavras, os gestos,
não importa mesmo se você continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e não
me ouve nem vê ou sente. Eu só quero falar com você, escute .

Inatingível. Escorregava em torno dela, percorrendo consciente uma
trajetória de impossível. Em torno da pedra um círculo de repulsão que me
jogava longe no momento da aproximação de seu centro. Cansaço pesando
em mim, baixei a cabeça. As minhas mãos perdidas sobre a areia suja da beira
do rio, as minhas mãos fremiam de fadiga. Círculos dourados percorriam o
espaço, penetravam concêntricos em minhas órbitas, os círculos nascidos em
torno da pedra. Pelos descaminhos, meu rumo se perdia, eu tornava a buscar,
recomeçava- e novamente errava, e novamente insistia, Túrgido de ternura,
me encarei. E baixei a cabeça com vergonha. A pedra prescindia de mim. Eu,
que me projetava num tempo desconhecido, prescindir de tudo e, impotente,
me projetava na pedra, lúcido de que não seria jamais o que ela estava sendo.
Eu que não conseguia alcançar o que ela alcançara e para sempre me perderei
entre as pessoas, vagando sem encontrar, sem saber sequer o que busco, o que
buscarei. A pedra me agredindo com seu ser completo.

- É esse gelo por dentro que eu não consigo entender. Você se doou tanto quando eu
não pedia, e no momento em que pela primeira vez pedi, você negou, você fugiu. É esse seu
bloqueio de aço encouraçando o silêncio, eu não consigo entender.

Completo. Seria possível o absoluto em algo ou alguém às vésperas da
destruição? Eu não sabia nem sei, ainda. Escurecia cada vez mais, a silhueta da
pedra já se dissolvera talvez na noite, mas a sua imagem permanecia em
minhas retinas. E no escuro, ela deixaria de ser? No escuro as coisas esquecem
de si mesmas para se tornarem apenas coisas, desligadas de qualquer suspeita
que se possa ter sobre elas? A imobilidade do rio com suas ondas fracas, feito
um reafirmar de inércia. E eu. Que era eu naquele momento exato, jogado na
areia, cheio de movimentos subterrâneos? Que era eu, com o incompleto de
minhas tentativas que não se cumpriam, e permaneciam vagando num ritmo
de espanto? O rio era o rio, o céu era o céu, a areia era a areia, mas a pedra
recusara meu pensamento e se fizera unicamente em pedra. E eu que
escorregava, me perdendo em corredores de luz filtrada, pelas varandas
entrecobertas de samambaias, por solares arquitetados sobre pântanos, pelos
pântanos mesmo de água pútrida e serpentes entrelaçadas em tronco de
árvores viscosas - eu que me reconhecia ao longe e não ia além do gesto para
me conhecer. Mas se o rio tinha peixes e lama e musgo no fundo, e tinha
mistérios; e se o céu estava repleto de mundos formando o cosmos e o
desconhecido infinito das galáxias, e tinha mistérios; se a areia onde haviam
restado detritos e sulcos, onde vicejava uma grama rala, tinha também
mistérios. Somente a pedra, até o fundo de si pedra, das nascentes ao topo,
nada contendo além de seu ser.

- Seria isso, então? Você só consegue dar quando não é solicitado, e quando pedem
algo você foge em desespero. Como se tivesse medo de ficar mais pobre, medo de que se alcance
seu centro e nesse centro exista alguma coisa que você não quer mostrar nem dar ou dividir.
Contido, dissimulado, você esconde essa coisa, será assim?

Ser. Já nada mais restava. Apenas a noite e, dentro dela, o meu silêncio
de incompreensão. Meus passos afundavam na areia deixando uma esteira de
poças que conteriam as estrelas, não fosse o imenso escuro de tudo. Cada vez
mais lento eu caminhava. Para longe do rio. Para longe da pedra. Para longe
do medo. Para longe de mim.

Caio F. A.

domingo, 23 de maio de 2010

Na Terra do Coração

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.


Caio Fernando Abreu.

sábado, 22 de maio de 2010

O Último Discurso O Grande Ditador


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progreso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

"
Charles Chaplin"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Derretendo Satélites

"Desta janela encoberta de neblina
Avisto seus brilhos solares atravessando a rua
Escondendo das lentes ofuscantes do sucesso
Seus passos decididos partiam em rotas inexistentes

Por um segundo, senti o bater ritmado do seu coração parar.
Como se o mundo parasse, se o ar faltasse.
Instantaneamente o universo retrocedeu duas décadas de evolução
Depois acelerou tão ferozmente que estrelas colidiram
Escuridão silenciosa fez em seu breve penar

Deste labirinto tortuoso que descrevo meus dias de exílio.
Observo, assustado, o correr natural de seus dias simples.
Como a um terremoto seus passos chocam com astros distraídos.
Destruindo o pouco de paz existente nos cosmos
Volte!

Por um breve instante, minha vida misturou-se com a sua.
Meus tristes relatos, observados com minhas vistas cansadas de esperar
a paz roubada, no instante que colidiu sua rota em meus dias cinzas
Os deuses festejaram a descoberta de uma constelação.

Deste quadro abstrato que minhas retinas incansavelmente entorpecem
Procuro vestígios palpáveis para reencontrar seus braços
Eu, vagando entre o real e o imaginário, suspiro a cada sonho.
Contrabandeando sorrisos puros a cristalizar nostalgicamente a vida

Desta caverna sombria a qual observo tudo contra a luz
Vejo-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e bela.
Ignorando as luzes ofuscantes, vejo apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derretia satélites e corações gelados."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tomara

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

Suas marcas em MIM

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

. Caio Fernando Abreu .

Mensagem a Você

"Saudades é um dos sentimentos mais urgentes que existem", pois é,
na minha interpretação não sei se isso é bom ou ruim, pode ser os dois quem sabe,
no momento em que me encontro sinto que o bom e o ruim estão mais próximos do que parece, tipo um tornado sabe, quando as massas de temperaturas distintas se encontram e se entrelaçam e se tornam uma só coisa , a vontade de seguir em frente e o receio do futuro, é algo assim, um mixer de coisas que não se pode evitar, se sigo em frente tenho receio e se iinterromper me errependo por não criado uma coisa nova, de trilhar um novo rumo pra vida sabe, é isso, veio aqui nessa minha cabeça e não quis deixar passar,


"Faz Parte do Meu Show"

domingo, 9 de maio de 2010

Um Coelho Chamado Caio


Sei lá, eu estava aqui parado, pensando nas coisas que fariam você feliz, rs, lembro que quando falo que queria ter um coelho e chamá-lo de Caio, foi engraçado mais ao mesmo tempo pude perceber que essa coisa tão "pequena" que é ter um coelho se torna um pequeno pedaço de vida tão grande pra mim, você compartilhar isso comigo, fiquei pensando, fiquei lembrando, fiquei feliz, rs.

Um Coelho Chamado Caio.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 4 de maio de 2010

Azul em Movimento


"Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul."